Edifício Martinelli e a verticalização de São Paulo.

By 15 de dezembro de 2015 Sem categoria No Comments
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São Paulo é uma cidade que me fascina. Pode ser caótica, suja, barulhenta, mas sempre que viajo à trabalho ou lazer, volto pra Curitiba com vontade de ter ficado mais tempo, de ver e absorver mais da loucura que é aquela capital. Já considerei morar lá algumas vezes, mas a vida acabou me levando por outros caminhos.

No início de dezembro, estive em São Paulo à trabalho, e com apenas 3 horas de respiro para passear e curtir a cidade com minha mãe, resolvi conhecer a região do Vale do Anhangabaú. Descemos na estação São Bento da linha azul do metrô e ali começamos a explorar esse centro histórico lindo.

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Pelas ruas do Vale do Anhangabaú.

 

Visitamos o surpreendente mosteiro de São Bento (restaurado há pouco tempo e maravilhoso por dentro – proibido fotografar), caminhamos pelas ruas, pelo Largo de São Bento e pelo Viaduto do Chá ao lado da prefeitura de São Paulo com seu “jardim particular” no topo do Edifício Matarazzo, também conhecido como Palácio do Anhangabaú.

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Prefeitura de São Paulo – Palácio do Anhangabaú.

 

Descobrimos alguns murais gigantescos entre os prédios cinzas, um projeto realizado sempre por dois artistas / grafiteiros (não consegui encontrar mais informações sobre, se alguém souber, por favor nos escrevam), visitamos também o Teatro Municipal, o qual não fizemos a visita interior guiada (gratuita) dessa vez por falta de tempo. Mas voltaremos!

Por fim, visitamos o Edifício Martinelli, o principal objetivo do passeio. Foi dica de uma amiga (a Ale Kalko) e eu fiquei simplesmente apaixonada pela beleza e história desse lugar. A visitação é gratuita, mas em horários específicos.

edificio

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Edifício Martinelli.

 

A construção foi iniciada em 1924 e inaugurada em 1929 com 12 andares. Os trabalhos foram retomados e seguiram até 1934, finalizando a obra com 30 andares e cerca de 105 metros de altura. Mas os detalhes mais legais foram contados pelo zelador do prédio que nos acompanhou na visita:

Giuseppe Martinelli, italiano que imigrou para o Brasil em 1888, foi quem idealizou a construção do edifício, que foi projetado pelo arquiteto húngaro Vilmos Willian Fillinger para ter 17 andares. Mas, o Comendador Martinelli resolveu subir a construção até o 24º andar. A Prefeitura embargou a obra, mas ele não ligou e seguiu com a construção. Diante da insistência, a administração municipal convocou uma equipe para testar a viabilidade dos sete andares adicionais. A solidez do prédio ainda era incerta mesmo após várias análises, mas para provar que se tratava de uma edificação robusta, o Comendador determinou a construção de sua própria casa (e que casa!) no topo – uma mansão equivalente a mais seis andares com uma área aberta com uma vista maravilhosa de 360º de São Paulo. Simplesmente maravilhoso.

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No topo do Edifício Martinelli (vista do vizinho Banespa ao fundo).

 

Durante muito tempo o Ed. Martinelli foi considerado o prédio mais alto da cidade. Seus 30 andares mudaram a paisagem e a evolução urbana da cidade. Foi um divisor de águas e depois dele começou a verticalização de São Paulo. Só perdeu sua posição de “arranha-céu” em 1947 quando o edifício Altino Arantes, sede do Banespa, com 36 andares e 161 metros de altura foi inaugurado, vizinho e visível do terraço do Ed. Martinelli.

A parte externa do edifício é toda de pedras rosadas trazidas da Itália. No interior os mármores de Carrara cobrem os pisos e os 1057 degraus. As ferragens são inglesas e todo o cimento para a construção veio da Suécia e Noruega por meio da empresa importadora de Martinelli. Nele trabalharam 600 operários e mais de 90 artesãos italianos e espanhóis. Os detalhes da rica fachada foram desenhados pelos irmãos Lacombe.

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Vista do topo do Edifício Martinelli.

 

Fico imaginando tantos anos de histórias e coisas que aconteceram nesse lugar, das festas luxuosas dos anos 30 à decadência dos anos 60 – 70 quando o edifício foi ocupado por famílias de baixa renda (sendo considerado uma das poucas opções de moradia barata no centro), sendo frequentado também por ladrões e prostitutas, com lixo por toda a parte, inclusive nos poços de ventilação.

Hoje, depois ser recuperado pelo governo e restaurado, é um prédio comercial e tem seu terraço aberto para visitação.

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Um palácio no meio da cidade <3

 

*A maioria das informações históricas deste post foram retiradas do site: http://www.prediomartinelli.com.br  (e tem muito mais!)

**Na região também tem dois lugares ótimos pra enganar a fome ou ficar de buenas. O bar Salve Jorge com receitas exclusivas de caipirinha com picolé e a confeitaria portuguesa Matilde. Só delícias! :)

 

About Cristina Pagnoncelli

Designer gráfica e artista visual. Inquieta e como (quase) toda aquariana, intensa. Observadora, instragram lover e eterna amante de Black Sabbath e seus discípulos... \m/

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